A geração Z ouve quase 4 horas e 10 minutos de áudio por dia. O rádio fica com 16% desse tempo. Aí estão o problema e a oportunidade.
- Samuel Zniber
- há 16 horas
- 2 min de leitura
A geração Z não abandonou o áudio. Ela só montou uma hierarquia muito específica de onde o rádio se encaixa.
7 de março de 2026
A geração Z ouve mais áudio do que qualquer geração anterior na mesma idade. O número do Gen Z Audio Report de 2025 é 4 horas e 10 minutos todos os dias. Isso não é uma geração se desligando do áudio. É uma geração que integrou o áudio ao tecido da vida diária de um jeito que os executivos de rádio deveriam achar genuinamente animador. O desafio é onde o rádio fica nessa hierarquia. O streaming de música fica com 42% do tempo diário de áudio da geração Z. O YouTube, com 20%. O rádio AM/FM, com 16%. Os podcasts, com 8%. O rádio está em terceiro lugar, à frente dos podcasts, mas bem atrás do streaming.
O número de 16% merece mais atenção do que costuma receber. O rádio ainda está na sala. Não foi expulso. Mas compete com plataformas extraordinariamente boas em uma coisa que o rádio historicamente dominou: ser o lugar onde os ouvintes descobrem música nova. Os serviços de streaming hoje usam dados de escuta de centenas de milhões de usuários para revelar músicas que parecem escolhidas a dedo. Para um jovem de 17 anos, uma playlist Discover Weekly do Spotify que se atualiza toda segunda com músicas que ele já sabe que vai curtir é uma alternativa genuinamente convincente a um programa de rádio no meio da tarde tocando uma rotação de 40 músicas.
Há um dado na pesquisa que os programadores deveriam colar na parede. Entre os jovens de 13 a 17 anos, 10% dizem que o rádio é sua principal fonte de descoberta de música. Em termos percentuais, é um número pequeno. Mas significa que o rádio ainda tem um pé firme na descoberta de música junto aos ouvintes mais jovens. As emissoras que investem nesse pé firme — com autoridade real dos comunicadores, reações ao vivo a novos lançamentos e uma programação que soa como se viesse de um ser humano que de fato se importa com música — são as que vão mantê-lo. As emissoras no piloto automático vão ver esses 10% virarem 5%.
A pesquisa de consumo de mídia da Attest de 2026 confirma que a relação da geração Z com o áudio também é social. A descoberta viaja por criadores, comunidades e recomendação entre pares mais do que por qualquer plataforma isolada. Esse é um insight aproveitável para o rádio. Um comunicador genuinamente presente nas redes sociais, falando da música que está tocando e do porquê, não está fazendo trabalho promocional. Está participando exatamente do ecossistema de descoberta em que a geração Z já confia. As emissoras que tratam o social como algo secundário estão perdendo a conexão entre onde a geração Z encontra música e onde o rádio poderia encontrá-la.
Fontes:
• Gen Z Spends Over 4 Hours Daily with Audio, Radio Online, https://news.radio-online.com/articles/n47465/Study-Gen-Z-Spends-Over-4-Hours-Daily-with-Audio
• Gen Z Media Consumption in 2025: Podcasts Are Reshaping Attention, Influence, and Impact, CivicScience, https://civicscience.com/gen-z-media-consumption-in-2025-podcasts-are-reshaping-attention-influence-and-impact/
• Gen Z Media Consumption 2026: Social Media and What's Next, Attest, https://www.askattest.com/blog/research/gen-z-media-consumption



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